Para o vocábulo “casa” há diversas concepções: espaço físico em que moramos, sozinhos ou com outra(s) pessoa(s), sejam amigos ou parentes. Normalmente para definir de forma carinhosa esse cantinho que é, não somente uma construção onde nos abrigamos, mas também onde são desenvolvidos laços afetivos, denominamo-lo de lar, tal qual ocorre nos países de língua inglesa, que se referem a house e home, o primeiro significando a estrutura física e o segundo, o lar, o pertencimento.
Do ponto de vista ecológico, “casa” também pode significar o nosso, ainda pouco amado, planeta Terra, tal como o biólogo alemão Ernst Haeckel, em 1866, cunhou o termo “Ecologia” (derivado do grego: oikos = casa + logos = estudo), que, atualmente pode ser definida como a interação dos organismos entre si e com o meio ambiente, embora haja algumas pequenas variações desse conceito:
“[…] o termo foi criado em 1866 pelo biólogo e zoólogo alemão Ernst Haeckel (1834-1919), contudo, seu conceito vai muito além do simples significado etimológico da palavra. Para Haeckel, a Ecologia era a “ciência capaz de compreender a relação do organismo com o seu ambiente”. Atualmente, existem diversos conceitos para definir a presente ciência, indo do mais popular, como o do Dicionário Aurélio (1988), aos mais técnicos. De acordo com o referido dicionário, Ecologia é a parte da Biologia que estuda as relações entre os seres vivos e o meio ou ambiente em que vivem, bem como as suas recíprocas influências. Ricklefs (2011), autor de um livro muito usado nas universidades de todo o mundo, define que Ecologia é a ciência pela qual estudamos como os organismos interagem entre si e com o mundo natural. Krebs (1988) e Begon et al. (2007) fazem uma definição mais pontual, uma vez que deixam claro que Ecologia é a ciência que estuda a distribuição e a abundância dos organismos, mas usam a interação entre os organismos como determinante da sua própria distribuição e abundância. Já Likens (1992 apud Begon 2007) elaborou uma definição mais completa, pois corrobora com a definição acima citada, mas acrescenta que a Ecologia também estuda a transformação e o fluxo de energia e matéria.” 1
Vistas essas observações sobre o termo “casa” no sentido físico, há de se destacar que a Doutrina Espírita discorre com profundidade sobre o significado espiritual de tal palavra. São muitas as obras que advertem sobre a atenção e o zelo que se deve ter também com a mente, a “casa” das mais diversas manifestações espirituais. Dentre elas, destaca-se o livro Pensamento e Vida, do Espírito Emmanuel, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, que em seus trinta capítulos, convida a refletir sobre como o que se alimenta na “casa mental” determina o padrão de vida, para o bem ou para o mal, afinal, a mente é uma “usina” que fabrica diversos tipos de insumos que afetam tanto o corpo, quanto o perispírito e o Espírito. E uma das importantes afirmações dele é a de que a mente é o espelho da vida:
“A mente é o espelho da vida em toda parte.
Ergue-se na Terra para Deus, sob a égide do Cristo, à feição do diamante bruto, que, arrancado ao ventre obscuro do solo, avança, com a orientação do lapidário, para a magnificência da luz.
Nos seres primitivos, aparece sob a ganga do instinto, nas almas humanas surge entre as ilusões que salteiam a inteligência, e revela-se nos Espíritos aperfeiçoados por brilhante precioso a retratar a Glória divina.
Estudando-a de nossa posição espiritual, confinados que nos achamos entre a animalidade e a angelitude, somos impelidos a interpretá-la como sendo o campo de nossa consciência desperta, na faixa evolutiva em que o conhecimento adquirido nos permite operar.
Definindo-a por espelho da vida, reconhecemos que o coração lhe é a face e que o cérebro é o centro de suas ondulações, gerando a força do pensamento que tudo move, criando e transformando, destruindo e refazendo para acrisolar e sublimar.” (Emmanuel/Xavier, 2013, p. 9/10) 2
Normalmente há uma preocupação em tornar a casa física um lugar repleto de conforto e aconchego, a fim de que seja percebida como um lar, ninho de sentimentos de fraternidade. Vários profissionais costumam trabalhar para edificar esse espaço: engenheiro, arquiteto, mestre de obras, pedreiro etc. No entanto, pouco se investe no cultivo de sentimentos nobres, que sustentem e enobreçam as camadas da mente, a fim de que pensamentos, palavras e atitudes reflitam a beleza que todos carregam em si, ainda que adormecida em alguns. Para esse movimento evolutivo, é indispensável a luz proveniente da educação espiritual, que torna a mente espelho de luz, um “lar” em que há aconchego, paz e felicidade.
Publicação Original:
MACHADO, Telma Maria Santos. Cuidemos da “casa” mental. Revista Atração, n. 103, 2026.
Referências:
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS (UFG). Centro Integrado de Aprendizagem em Rede (CIAR). Ensino de Biologia: Módulo 4, Capítulo 2. Disponível em: https://publica.ciar.ufg.br/ebooks/ensino-de-biologia/Mod4Cap2/conteudo/4-1.html. Acesso em: 19 maio 2026. ↩︎
- XAVIER, Francisco Cândido; EMMANUEL (Espírito). Pensamento e vida. Brasília: FEB, 2013. p. 9-10. ↩︎